Que nem uma estrada nova cheia de buracos.
Era uma vez um médico, alentejano, que depois de trabalhar na capital optou por fazer carreira na sua aldeia natal. Mudou-se, chegou ao centro de saúde e esperou pelos entrevados. Mas o povo da aldeia é teso e como tal só havia um doente, o Fraquezas, um desgraçado que andava sempre com febre.
De consulta em consulta, de tratamento em tratamento, lá ia o homem ao doutor, isto durante anos e anos. Tantos anos passaram que o filho do médico acabou médico também, e decidiu fazer companhia ao pai. E o Fraquezas cheio de febre.
Chega o Verão e o doutor – pai – decide tirar umas férias, deixando o único doente que tinha nas mãos do seu filho. Quando regressa, fiado que o jovem teria continuado o tratamento recomendado, eis que cai de cú ao receber a boa nova do filho: “consegui tirar a febre ao Fraquezas!” Ao que responde o pai “meu animal, tu não me digas que foste matar a carraça ao homem? Agora estamos melhor, sem doentes e sem trabalho!”
Moral da história: não haverá uma alma caridosa que leve Portugal a um médico que lhe mate o bicho? É que a carraça das obras públicas está cada vez pior, acabam num sitio começam ao lado, acabam ao lado voltam ao sítio inicial para esburacar o que foi feito e passar um tubo que ficou esquecido. E assim está o país, falido, quem nem uma estrada nova cheia de buracos.
um gajo em Alfama
www.onitsuka5alutacontinua.blogspot.com































